Totari no Totoro, uma Ode à Alegria

O texto contém spoilers, mesmo que estes não sejam de muita relevância no entendimento da obra, recomendo que tenha visto o anime antes, caso apenas queira uma recomendação, veja a conclusão.

Introdução

O segundo longa-metragem do recém formado estúdio Ghibli demonstra à que vieram os ventos que varrem o Saara, os quais inspiraram seu nome. Desde já ele delimita seu estilo e constrói as bases que forjariam seu nome na história da mídia. Bebendo de fontes clássicas, enquanto renova uma indústria rumo ao seu auge. Tonari no Totoro criaria o mascote, até o presente dia, símbolo do estúdio. Reconhecido posteriormente, por muitos, como sinônimo de animação nipônica.
Esta review foi escrita em conjunto com meu caro amigo, Gen, que auxiliou como redator e fonte de conhecimento histórico quanto às meisakus, agradeço-o desde já.

World Masterpiece Theater

A história desta gloriosa dupla está ligada aos primórdios de suas carreiras, especificamente na década de 70'. Durante a trajetória pela Nippon Animation, Miyazaki desenvolveria um laço com os módulos criativos das World Masterpiece Theaters (WMTs/Meisakus) junto de Isao Takahata, reponsável pela elaboração de ícones desse gênero. Quando mais a frente, em 78', estreiaria com Mirai Shounen Conan, fundando sua própria identidade, algo lúdico, acional e aventureiro, que se desenvolveria na década seguinte em Kaze no Tani no Nausicaä e Tenkuu no Shiro Laputa. Apesar disso, o diretor jamais abandonou sua herança das Meisakus e viria provar isso na segunda metade de 80'.
Totoro traz consigo diversos dos elementos de construção das WMTs, seja em sua proposta narrativa situada na vida rural, na escolha de crianças para protagonizar o longa, na pacata atmosfera que o permeia ou mesmo na simplicidade e verossimilhança.
O maior diferencial se tornaria a centralização em uma moral "xinto-budista" característica do autor, ao invés da convencional judaico-cristã das Meisakus. Também como a introdução de uma abordagem fantasiosa intercalada com a fidedigna.
Todavia, o anime se prova uma autêntica masterização de seu gênero originário, não devido a uma superioridade sobre as demais WMTs, mas, sim, por elevar superproduções como essas a um novo patamar o qual somente a Ghibili poderia.

Muito Além de um Roteiro

O roteiro com certeza não é o pilar mais forte dessa construção, sua premissa simples e batida, de uma família da cidade que se muda para o interior, quando a mãe fica doente, é bastante típica do estúdio. Dá a entender, então, que a trama se desenrolará em torno da doença da mãe e seu impacto na família. Entretanto, o que ocorre é justamente o oposto, é perceptível, ao longo dos primeiros minutos, que o drama e outras complicações de enredo não são o pilar em que a estrutura será embasada. Ao longo das cenas nota-se um certo descompromisso, uma impressão de que elas ocorrem por elas mesmas. De fato, elas não ocorrem em nome da construção de uma estória grandiosa, mas sim do sentimento que se quer transmitir. Cada acontecimento nele é parte da construção da atmosfera, de alegria e aventura, de duas crianças descobrindo um mundo novo.
Desde que Mei e Satsuki chegam à casa elas se demonstram crianças brincalhonas e faceiras. Pulam e correm, gritam e riem, a caçula, Mei, sempre atrás de sua irmã, imitando o que ela faz. Parecem entusiasmadas com tudo ao seu redor, a nova casa é como um castelo à ser explorado. A alegria das crianças, a união da família e a aventura são as principais forças motrizes da obra durante a primeira hora. Esses três aspectos são firmados em quase todas as ocasiões. Como as abaixo: da chegada na casa com o encontro das duas garotas com os Susuwatari; Mei descobrindo os espíritos da floresta; ela feliz com o seu milho que ela dará para Oka-san; as irmãs brincando despreocupadas na água; o pai e suas filhas com medo da tempestade, tomando banho juntos e se divertindo; a entrada na floresta e a aparição de Totoro. A simplicidade do enredo e sua estrutura atípica, com um ato introdutório bastante comprido, são algo que fornece a calma necessária para que se atinja o propósito do filme, causar no espectador um efeito estasiante de felicidade.



Tal calma é quebrada com uma complicação que surge após a primeira hora, Mei se perde ao tentar chegar ao hospital onde sua mãe está e Satsuki tenta, desesperada, encontrá-la. Essa complicação pouco original, quebra parcialmente a atmosfera constante de alegria que havia sido construída até aqui. Mas, como há males que vêm para o bem, há propostas batidas que vêm para mostrar que não é só de roteiro que se faz um filme. As sequências seguintes são, talvez, as mais icônicas do anime. Satsuki consegue ajuda de Totoro, o espírito da floresta, para achar sua irmãzinha perdida. Ele invoca Nekobosu, o gato-ônibus, que a leva até seu destino, o reencontro ocorre e segue com um final feliz, com ambas na janela do hospital, vendo que sua mãe está bem. E Mei finalmente entrega seu milho para Oka-san. Todas as sequências dessa parte são preenchidas de diversas aspectos que as tornam tão icônicas, alguns deles serão tratados a seguir.

Belos como a Natureza

O visual de Tonari no Totoro com certeza é uma de suas qualidades mais chamativas, sobretudo a cenografia. Ela marca sua presença fortemente em quase todos os shots do filme. Cada um dos fundos, pintados à guache, está colocado de maneira inteligente no respectivo layer. Seja nos ângulos abertos que nos mostram a beleza da natureza, nos fechados onde o fundo complemente a expressão do personagem ou nas passagens dentro da casa, em que a composição demonstra o modo de vida dos residentes.
A minúcia da equipe e o orçamento bem empregado na produção, deram origem a quadros excelentes. A quantidade de tonalidades utilizada é suficiente para criar bons efeitos de iluminação e sombra, dando o aspecto de volume e profundidade a cada item da cena. Tal-qualmente, a saturação alcança um nível de precisão invejável, cada frame está na gradação correta, criando um aspecto agradável aos olhos, sem excessos ou carências. Excessos esses que são comuns em nossa época, quando se trata de retratar a natureza de forma bela, ou mesmo em outras aplicações. A escolha de cores e tonalidades em um quadro de natureza deve ser feita tomando em consideração o contexto da obra, sem ser bonito por si só, como se fosse "gratuito" ou forçado na audiência, com aspectos gritantes, que tentam reforçar uma graça natural pouco orgânica. Aqui o cenário é desenhado de maneira a complementar a atmosfera de contemplação. Sua paleta, predominantemente verde e azul, é utilizada há séculos para criar a sensação de familiaridade e organicidade, copiando o meio em que vivemos. Com isso é possível atingir seus objetivos, de sensação de conforto e aprazimento, e a mensagem implícita, que será tratada posteriormente.


O Sorriso de Totoro

Após tocar no assunto de background pode acabar passando despercebido outro aspecto muito importante. O design dos personagens do título carrega o estilo advindo das WMTs. As formas arredondadas que compõem os personagens transmitem a afabilidade e a inocência, desde as crianças até os adultos, passando pelas criaturas mágicas. Cada um deles exaure uma aura de pureza, mesmo Nekobasu, que lembra muito um certo outro gato famoso da Disney, que é, talvez, o personagem menos amigável, aparentemente, não deixa de ter o seu lado “fantasia infantil”, com seu aspecto surreal e seu sorriso largo.
Quanto a ele, o sorriso, é o componente mais gritante na constituição visual durante vários momentos. Ele é desenhado de forma bastante caricata no rosto de cada personagem, um sorriso aberto, ou mesmo uma boca aberta em um grito, evidente e contagiante. O motivo pelo qual estes são tão efetivos reside na maneira como são utilizados em cada ocasião. As com as crianças, com risos espontâneos em horas de alegria, o pai na banheira solta uma gargalhada em meio ao silêncio, quebrando a atmosfera tensa, e, talvez, o riso mais icônico de todos, onde Totoro mostra seus dentes. Ela está representada no gif abaixo. Uma cara confusa, com uma boca pequena e olhos para baixo, em um ser que transmite imponência pelo seu tamanho e pela sua posição como o espírito rei da floresta, mas que, por conta de sua aparência arredondada e seu pelo, lembra a de um urso de pelúcia. De repente o rosto desse ser, que até agora parecia apático, com cara de sono, se transforma. Surge em sua expressão os olhos grandes vidrados de um ser que parece maluco, os pelos do rosto que se eriçam e um enorme sorriso agora se estampa em sua face. Essa combinação de fatores, presentes no character design, e a quebra de expectativa gerada na cena, arrancam um sorriso, tão grande quanto o de Totoro, da cara do espectador, como uma piada implícita em um corte de poucos segundos, mas uma piada irresistível. O mesmo princípio pode ser observado quando onde Mei segue o espírito em seu quintal ou em outros momentos. O trejeito dos personagens e a evolução da sua expressão, facial e corporal, dão-lhes organicidade e emoção.

Do Especialista em Animação

O homem por trás da obra é tido como um dos maiores diretores de todos os tempos, entretanto é seu talento como animador que é um de seus principais atributos. Como muitos dos outros ele começou como animador. A herança em seus métodos deve muito a isso. Diferente de muitos, Miyazaki trata a animação como a coisa mais importante em suas criações. Assistindo à entrevistas de diversos criadores percebesse como ele lhe dá importância, é um dos tópicos mais citados por ele. E para criar boas animações são necessários bons animadores, que, segundo ele, só podem ser bons se conhecem o mundo que vão animar, as pessoas, os detalhes, analisam as coisas ao seu redor. A preocupação com a análise e o mimetismo do mundo é o que faz seus personagens e seus mundos parecerem tão vivos. Ele constrói as personalidades e as atmosferas através de nuances. Nuances essas que conhecemos bem, mesmo que não prestemos atenção nelas, no dia a dia.
A fluidez, o tempo e a movimentação dos personagens são os fatores principais que constituem essa naturalidade. Podemos ver como exemplo o gif da cena abaixo. A família toma banho enquanto chove, o vento e os trovões são bastante altos, amedrontadores. Satsuki se ensaboa no chão, mas o vento forte a deixa alerta, quando um raio cai ela dá um pulo e faz uma cara de espanto, logo em seguida, joga água em si mesma, corre para a banheira e se encolhe na água. Uma ação que todos conhecemos, encolher-se e cobrir o corpo pensando estar seguro assim. Além disso, o tempo em que os movimentos são feitos, eles ocorrem no tempo mais preciso para que cada movimento pareça vivo, quando ela coloca um pé de cada vez na banheira, com cuidado, nas pontas dos pés, a parada que ela dá olhando para fora, para ver o que ocorre, tudo muito digestivo. O detalhismos dessas cenas é impressionante. É ele parte do núcleo duro das animações do estúdio, Isao Takahata traz um estilo com o mesmo nível de detalhismo.

Fantasia e Verossimilhança

As obras do diretor Hayao Miyazaki são muito famosas pelos seus temas fantasiosos que utilizam de premissas que parecem vindas de um sonho de infância, mas talvez o que seja ainda mais incrível nelas, não é apenas a criatividade na abordagem, mas a verossimilhança empregada em conjunto.
A exploração de fantasia em Totoro ocorre após a apresentação de que o mundo é recheado de espíritos, que não são explicitamente youkais, mas que têm fortes ligações com essa parte da cultura japonesa. Mei e Satsuki conseguem ver esses espíritos e interagir com eles. Os adultos não os enxergam, porém os respeitam e reconhecem o seu papel. Essa característica, que pode ser argumentada como clichê, funciona bem nesse caso. Ela deixa a relação imaginativa restrita às crianças. Isso diminui o impacto no world building e aumenta a sensação de aventura inocente, de descobrimento. A relação real-ficcional do longa gira em torno da interação entre as duas protagonistas e os espíritos. E é nessa interação que reside a real magia tão aclamada.
Os personagens são construídos com personalidades bastante simples, portanto, são suas ações que os caracterizam. A veracidade deles vem da inspiração de Miyazaki em pessoas reais, ele diz em uma entrevista que a concepção das ações das protagonistas vêm de suas memórias de infância e de sua experiência com seu filho e amigos dele. Suas ações pouco racionais, sua curiosidade e falta de preocupação, como são em crianças de verdade, fazem delas coerentes e engraçadas. Isso é trabalho da mente de um artista detalhista, que observa o mundo à sua volta e emprega suas características em seus personagens, quando eles andam, pulam, gritam, choram. Se aproveitando daquilo que é conhecido, ações naturais, nas sua criações, e fazendo com habilidade, em um ato de mimetismo excepcional.
A fantasia serve de quebra de cotidiano, como o tempero mágico que dá o gosto especial. Como já dito, eles ampliam a sensação de aventura e descobrimento, dando um toque de grandiosidade às descobertas. Mesmo com sua natureza completamente aparte das leis que regem o cotidiano do homem, eles não ferem a estrutura da obra, pelo contrário, eles ampliam sua potência, sua efetividade.
É a troca inteligente entre as duas abordagens que dá o efeito desejado. Mesmo quando ambos os aspectos surgem lado a lado, a convivência entre os dois mundos se corrompe, ao contrário, a relação é orgânica.
As imagens abaixo exemplificam muito bem o ponto. Mei está sentada, ao lado da estrada, perdida, sozinha e triste. Então, ela ouve sua irmã lhe chamando ao longe, procura-a com os olhos e grita, quando não a vê, se desilude e começa a chorar. Essa primeira parte é quase completamente composta da verossimilhança da personagem, a criança já triste, ganha esperança ao ouvir sua irmã, mas logo a frustração lhe dá o segundo golpe e ela cai em prantos. Os sentimentos exagerados da infância. Logo a seguir os prantos são interrompidos, pois, Mei olha para cima com cara de espanto, surge um gato gigante de várias patas que anda pelos fios da torre de energia, ele pula do céu e dá a entender que cairá mergulhando no chão com seu enorme peso, mas, como um gato faria, ele cai com leveza, sem muito barulho, o vento arrasta Mei para trás. Ela fica espantada, um animal gigante acabou de pousar, por poucos instantes, já que, quem está dentro do “ônibus” é sua irmã. Ela corre para encontrá-la, pelo lado errado do ônibus, confusa, sua irmã aparece correndo na parte oposta. Elas se encontram e se abraçam, enquanto nekobosu cobre o background com seu imenso rosto e seu sorriso estampado. A reação de cada personagem, seus gestos e reações, foram pensados de maneira extremamente expressiva, o abraço, Mei gritando por sua irmã, ela correndo pelo lado errado, segurando seu milho, a cena conta sua estória, por si mesma, sem que sejam necessárias exposições, a linguagem corporal é quem dita. Ainda sim, há espaço para um felino automóvel pular de uma torre de energia, o vento arrastar uma menina, ele demonstrar seu contentamento com a ocasião. A convivência lado a lado dos dois aspectos de uma estória, da maneira mais exemplar o possível.

Do Silêncio às Gargalhadas

Muitos iniciantes podem estranhar ou mesmo desgostar da falta de trilha sonora em muitas animações de Hayao Miyazaki, e mesmo de outros autores como Mamoru Oshii. O público muitas vezes se apega à ideia de que a música é essencial para a transmissão de sentimento, e o costume com o cinema hollywoodiano não ajuda em nada. Entretanto, isso está longe de ser verdade. O silêncio é uma forma de construção tão efetivo quanto a falta dele, ele muda sua atenção para outros pontos, como a sonoplastia, os personagens, a fala, a mise en scène, o movimento da câmera, ou pode mesmo chamar a atenção por si só. Como onde existe uma troca súbita entre a música e o silêncio, e cria-se uma expectativa em cima do que está por vir.
A quebra de constância é a lei que rege a maior parte das viradas entre o silêncio e o som. Cria-se expectativa, uma sensação de ansiedade do que está por vir. Essa técnica segue o mesmo que é feito na animação, complementando-a como em um dueto. A música entra nas cenas de formas diferentes dependendo da necessidade, como mais um instrumento na orquestra. A orquestração sonora intensifica a aura de calma e curiosidade que permeia esse mundo de fantasia acordada. Como exemplo, o mesmo usado anteriormente, onde a família está tomando banho, onde apenas se ouve o barulho do ambiente, o vento, os trovões, as portas batendo, os personagens se movimentando, de repente quebra se a expectativa, construída não só pelo som, mas também pelo posicionamento de câmera, a iluminação, a coloração, com a risada alta do pai. Logo após os risos entra a música calma com feitio mágico, mostrando as fuligens indo embora, o que dá a sensação de paz, calmaria.
Quanto à dublagem, essa é, como o padrão Ghibli manda, excepcional, mesmo para o Japão, que tem ótimas dublagens infantis, a expressão empregada nas falas e reações demonstram o quão exigente são as produções do estúdio. A questão realismo dos personagens tem como essa uma das seus principais sustentáculos.

Pelo Meio-Ambiente

Miyazaki foi, e ainda é, um defensor do meio ambiente, diversos de seus filmes abordam temas como preservação, caça, poluição, urbanização e afins, Totoro é um deles. Entretanto, diz ele em entrevista, nunca havia expressado seu amor pela natureza, de forma direta, e que queria fazer isso. Durante todo a trama nos é mostrado a vastidão da beleza natural da região onde os personagens residem, campos, plantações, florestas, flores. A atmosfera acolhedora nos leva a um passeio no interior, a uma vida calma. Preservar essa beleza é tarefa do homem, os espíritos, guardiões da floresta, ajudam os humanos a plantar, dão lhes o lugar onde viver e de onde tirar seus recursos, em troca é necessário agradecer apenas, ajudar a floresta também.
A relação com o budismo é bastante clara. Miyazaki tenta resgatar os valores japoneses perdidos. Ele, um amante do Japão, retrata a importância das tradições xinto-budistas, como a de veneração da natureza. No início do filme o pai da família diz sobre a árvore gigante, “ela está aqui desde muito tempo atrás. Desde a época em que homens e árvores eram amigos”. A relação também é demonstrada abaixo, nas imagens, onde a família presta respeito e agradecimento na grande árvore, por Totoro ter protegido Mei. O próprio espírito Rei da floresta é referência à cultura e religião nipônica, Kodamas, os espíritos-árvore, dos quais fazem parte os Yama no Kami, os deuses da montanha, protetores da floresta, assim como Totoro. O ambiente do interior, o contato com a vida, é um retrato da filosofia zen de respeito e contemplação.

Conclusão

Tonari no Totoro é um exemplo de composição, uma obra que chega a ser difícil de explanar sobre, devido à quantidade de fatores que são insubstituíveis em sua constituição. Como estrutura simples, mas composta de todas as suas partes e que, diferente do navio de Teseu, não seria o mesmo sem suas velas. É um dos melhores exemplos que se pode dar de estruturação, conseguindo utilizar de suas diversas formas de linguagem para alcançar seu objetivo, transmitir seu significado. Um retrato da alegria, um marco na indústria e um excelente anime.

85 /100
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